sexta-feira, 25 de junho de 2010

Dor do leito.

E quando me cheguei ao tempo, fugiu-me. Receoso de um ataque, quando apenas queria conforto. Dizer-lhe para me deixar deitado. Para me deixar de corpo morto. Só nos sonhos ainda ouço palavras e sinto gestos. Cada hora de levanto, é uma hora nostálgica de dor. Onde estão os teus braços?
Os meus não têm força. As pernas já não caminham.
A cabeça pesa. E mais ainda, pesa o coração, encharcado de chuva, deste vento que me inflama a chama.
E esse Homem fugiu-me quando lhe queria pedir só mais umas horas do insconsciente.
Regam-se os caminhos fluentes de erva daninha. Tapam-se as passagens. Fecham-se as portas de ferrugem metálica. Fecha-se o coração numa chave que é tua. Fecha-se um corpo que morre de dor. Fecha-se uma vida, que não tem razão de caminho.
Abre-se o fim, de um sentimento guardado no coração, de um Homem degénere, que cai sobre terras lamaçadas de água desnecessária. Que escrevem saudades de si mesmas.
Escreve-se o insuficiente sentido das palavras num texto escuro. Em uma palavra, que regide a vida do Homem, que morreu no todo do seu corpo, pelos seus erros. Amo de saudade a companhia amiga, que já nem tal quer ela afligir.
Pediu desculpa ao mundo, e morreu ali.

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