Deixo que as pétalas das rosas me beijem a face, que o cheiro da terra lavrada me leve ao lugar onde mantenho o pensamento fértil de sonhos…
Deixo que me iluda quando vejo uma águia voar, uma criança sorrir…
Mas é quando olho a Mulher que vejo os meus sonhos guardados num quarto escuro e vazio… fechados, empestados de bolor agoniante…
Trago a beleza da vida em palavras, encho a folha branca, vazia, de amores, de oceanos, de luares, de sonhos…
Mancho as letras com as lágrimas da realidade, rasgo folhas de papel e choro… caem-me as palavras dos olhos… as frases enrolam-se na garganta… a angustia de viver chega a ser inquietante… o poema faz-se no peito…
Olho para a imensidão do mar e vejo corpos desalinhados, desmembrados, queimados…
Olho para a fonte da saudade e vejo lágrimas de crianças a jorrarem na esperança de encontrar um abraço quente… que não vem…
Ergo-me do cansaço de quem sou… componho-me e vejo-me sorrir esperando o retorno de um beijo…Um beijo que encarna e faz-se ainda sentir nos meus lábios, como meu alimento… minha sobrevivência…minha fonte de prazer. Podem negar o bom assento, podem pedir que viaje, quando no linear, esse Beijo é só nosso. De ser tão perfeito no deslumbramento. De glorear o inabalável prazer que traz. O prazer que é só nosso. O prazer que ainda sinto do prazer que me dás. Do prazer que és.
No final das contas, quero-te para minha mulher..
Tudo o resto já não importa..
Talvez só mais a saudade que sinto, de te ser.
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