terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Dói.

Já tinha adormecido quando a dor me chamou. Que grande aflição. É forte e insuportável. Mesmo assim tentei evitar. Acabaria por ir embora se não lhe desse atenção. Lá o fiz.
Mas não! Continuava a chamar com aquela voz arrogante. Não. Não aguento. Fugi sem destino, por caminhos sem fim, e tentava de tudo para que me deixasse. Corri entre as árvores, as florestas, enchidas de mato, quer dizer, ao correr por ali sem ver onde punha os pés, sem que sentisse os espinhos das plantas arranharem-me.
Não quero saber. Só queria fugir. De um momento para o outro,  deixo de me conseguir mover. Fiquei preso e pronto. Apoderou-se de mim de tal maneira que já nada conseguia fazer para a afastar. E não sei quando vai acabar. Só sei que, de momento, ainda me persegue e abafa, e nada posso fazer. Nem acabar o enredo que segue esta história.
Já não posso ter um momento de sossego.
Doi. Doi mesmo. E nada posso fazer. Porque não sei quando vai acabar.
Se.

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