Já não sei que fazer. Estou tão atalhado. E a cada momento que alterno o meu pensamento, envolvendo e tentando empilhar cada qual ao que lhe pertençe, a cada prateleira que lhe serve, fico cada vez mais desorientado.
Já quase não vejo. Tudo o que vejo à frente está a desfocar, e a imagem está a ficar absorvida de modo que já nem eu cabo nela. Dá que pensar e remoer. Porque já não consigo encontrar-me. Mas anseio-me tanto. A mim e a ti. E se tivesse de escolher escolheria os dois. Mas não creio que necessite.
O mérito que nos relaciona foge. Está sensível e frágil, e pouco vento serve. Deixamos passar-nos por mera retórica que vai aqui e ali, que é enganosa. Ou até não. Até que um pouco verdadeira, acredito, mas difícil de tornar. Já não sei. Mas devia. Porque estou ali sentado de pernas esticadas a tentar dissolver um pouco que seja a minha escrita e no entanto, tudo me distrai. Até se surgir um pouco de inspiração, não sei, talvez, por estupidez a deixe fugir. Mesmo se ali estiver debaixo do meu queixo, não reparo. Aliás, não reparo em nada. Já nem sei falar. E tenho tanto que fazer, mas preferi ir para a cama dormir uma sesta.
Acordei. Epá, já é de manhã. Que farei hoje? Tem de ser. Vai ser hoje que vou seguir o trajecto que está morto à tanto tempo. Mas, já não sei se devo. Apesar do discurso, devo trazer alguns actos no bolso. E vendi-os ontem ao sono, para ir dormir. Estou completamente iludido, por uma falsidade que nem quero ver, que simplesmente me creio a pensar que não afectará em nada. É preciso cresçer. Elaborar um esquema de vida. Mas eu não quero saber nada disso. Apenas circulo por aqui e por acolá, vendo as coisas como que uma inspiração, para as postar, mesmo não tendo sentido. Estou aqui a escrever, mas é apenas mais um discurso. Até podia fazer um texto lindo, mas apenas iria ser lido e posto fora. "Pois". E aí está mais um exemplo de um bocejo. Pois, que tantos se usam. Mas como dizia, há algo a escolher. Continuar na farra, ou fazer algo. Eu por mim, escolho os dois. Mas ouve lá, André, secalhar já não acreditam em ti. Já te disse que sou só um discurso retórico. Talvez se fizeres algo, te surja um começo.
Concordo. Escolho os dois. Mas perder o que tenho é que não. ´Vou procurar. Até logo.
Sim André, li o teu post *
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