quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Como existes?

Vamos pela vida intercalando épocas de entusiasmo com épocas de desilusão... De vez em quando andamos inchados como velas e caminhamos velozes pelo mar do mundo; noutras ocasiões – mais frequentes do que as outras – estamos murchos como folhas que o tempo engelhou. Temos períodos dourados, em que caminhamos sobre nuvens e tudo nos parece maravilhoso quando afinal de repente nos apresse a pior dita mensagem sob a lágrima da nossa face – em que talvez nos apetecesse adormecer e ficar assim durante o tempo necessário para que tudo voltasse a ser belo. Porque na verdade é necessário, secar o derradeiro espaço que humidaste com esse gesto. Não fui capaz de chorar por muito tempo, até hoje que vi a grande razão do meu choro. Quando vi partilhar, o que pensei ser o meu bem. O meu doce prazer.
Entristeci, como não haver a muito. Há muito. Há muito. Não sabes sequer o que quer isso dizer para mim.Acontece sem esperarmos que aconteça, e constitui, sem dúvida, um sinal de imaturidade. Sou ainda criança. Porque é que pessoas como eu, nos deixamos levar demasiado por entusiasmos, quando já devíamos ter aprendido que não podem ser duradouros.
Isto é o que é, e não pode ser mais do que isso.
Quando desejo muito uma coisa, penso que se a alcançar obtenho uma espécie de céu azul, de sol quente e brilhante, de um conforto especial.. e não forçamos de maneira nenhuma um sorriso que nos esbate a face. Gasta-se o dourado, esborooa-se o algodão das nuvens. Aquilo já não proporciona um paraíso. Mas porque não?
E é nesse momento que chega a desilusão, com todo o seu cortejo de possíveis consequências desagradáveis: quase passam pela cabeça coisas como fugir deste mundo, saltar de uma ponte, gritar até se nos explodir o sentimento do coração..e, então, surge o desejo de partir atrás de outro entusiasmo:queremos voltar a amar…
Mas nunca mais conseguimos aprender o que isso é. A culpa não está nas coisas nem está nas outras pessoas. Se nos desiludimos, a culpa é nossa, e agora é minha: porque me deixei iludir; porque me deixei levar por essa ilusão.
Quando desiludidos não estamos a ser justos nem com as pessoas nem com as coisas.
Nenhuma pessoa, nenhuma das coisas com que lidamos pode satisfazer plenamente o nosso desejo de bem, de felicidade, de beleza. Mas talvez tu fazias. Talvez tu me assim serias. Porque já foste. E já tu me deste esse conceito. E já tu me deste o beijo que era decerto, na minha mente um beijo só nosso. Mas pergunto-me porquê a desilusão da descoberta: de que tudo isso não passou de uma fantochada que gostei de ouvir..por pensar ser real.
Se ambicionar um bem perfeito e eterno, ele deve existir. Só pode acontecer que exista. Mas deve ser preciso procurar num lugar mais adequado..e talvez eu não esteja assim tão perto disso..talvez a desilusão não esteja noutro lado... Talvez te encontre noutro lado que não aqui. Porque aqui tenho medo de te ver. Aqui onde estás todos os dias não és tu. Não és o amor que eu quero. Não és a pessoa que eu conheço. És uma mulher diferente, seca, pouco meiga, e fria..
E a minha mulher é especial, cheia de dom, linda, quente, doce, e acima de tudo a minha mulher é uma Princesa. E tu eras. Mas se te tornas como primeira, então não és mulher minha..és mulher que não olho sequer..és desilusão. És nada em mim. Existes? Quando estás nos meus sonhos.
Quando és verdadeira.
Quando penso que ainda és real.

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