Depois de um espirro, e um suspiro, e ao virar a cabeça ao engenho do meu sono, alcançei com um pequeno esforço, uma palavra. E longe ouvi o meu nome, bem além. E transgridi as regras da noite, saltando do meu espaço, içando-me à luz que esse olhar fazia gerar, e nem pensei que se roubasse uma palavra ao poema, ele não rimava da mesma maneira. E tirei-a. E guardei-a para mim, para o meu livro. E houve um poema que eu não conhecia que ficou incompleto. Mas precisava de fazer algo importante, que senti. E fi-lo.
E o mundo ao rodar, entornava-me a mente, esboçando as minhas letras de pensamentos escuros. Tal como a rua onde escrevo. Escura. Mas era nesse escuro que a maior luz brilhava. O poema escrevia-se a si a cada passo, a cada rua que fazia o ar inspirar-se.
O poema escreve-se no primeiro verso. Só que o mundo roda muitas vezes. E o apoio caloroso da luz brilhante que entrelaça na noite, é forte.
A pétala da flor que nasce no jardim, é única. A gota de água que a refresca é transparente como essa luz na escuridão que sempre brilha. Tenho em frente o jardim que faz continuar a rua sem o mesmo piso. Mudam-se tempos, vai rodando o mundo, escrevem-se os versos, deita-se o corpo.
Esboça-se a vontade de dar de viver. O poema de uma vida é o caminhar do meu corpo. Sou nada, talvez, no jardim em que há uma única flor. Mas sou tudo onde viajo. E onde viajo voo no mar e nado no céu. Pois tenho em mim, toda a arte, para te pintar, num simples traço. E vives na grandeza cuja razão não alcança. E se me perguntar onde estou, digo que estou num poema, onde sou dono das palavras que escrevo, para rimar as minhas letras, de sonhador, com feliz. Rima de todas as maneiras que o poeta quiser que rimem.
Rimam como rima um poema, no livro, onde poiso tinta. Rima como a vida rima, com a vontade do querer.
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